Jovens Gays No Armário: vale à pena?

 


Eu passei a minha vida toda nesse tal armário. Sofri preconceito, me privei de sexo por 40 anos, cultivei amores totalmente platônicos, unilaterais, doentios e inadequados por amigos chegados, me ative apenas à prática de "auto-indulgência" sexual. 

Depois dos 40, quando finalmente iniciei minha vida sexual, eu não conhecia nada deste mundo.  Eu nunca havia colocado uma camisinha na vida, e meu órgão era sensível ao preservativo, pois a pele era fina. Tive que aprender a usar a proteção, antes de me aventurar a fazer algo sexualmente físico.

Eu ainda estava no armário, mesmo iniciando a sexualidade, por isso, até o ato de comprar camisinha na farmácia era complicado. Eu sentia vergonha e culpa e temia que outras pessoas desconfiassem. A cada vez que ficava com um rapaz, me sentía culpado, e jurava pra mim mesmo que não faria de novo.  Até repetir tudo de outra vez.

O armário, porém, não me livrou do preconceito dos homofóbicos. Todos os dias eu ouvia críticas, ameaças, eu ouvia discurso de ódio e menosprezo. Havia um vizinho que, todos os dias, gritava em alta voz pela rua coisas pessoais, que eu fazia dentro do quartinho em que morava, e procurava manter a 7 chaves. 

Eu sempre procurei ser o mais honesto, o mais inteligente,o melhor da turma, mas nada disso me livrou do ódio com que me atacavam. Enquanto alguns me admiravam, conquanto eu não praticasse nada em relação à homossexualidade, outros abertamente zombavam e me diminuíam. 

Mas, quando eu pensei que as coisas estavam melhorando, veio o mais duro golpe. Recebi um falso diagnóstico de HIV. Entrei em pânico, me desesperei e pensei que minha vida havia acabado. Lutei muito para continuar vivo e até cheguei a iniciar o tratamento para esse caso, e lutei contra a depressão e a perda de ânimo para a vida. Foram  quase 10 anos até ter certeza absoluta da falsidade do exame laboratorial. E para, hoje, estar retomando a estrada para o sucesso em minha vida. A Pandemia de COVID não me vitimou, mesmo eu tendo saído às ruas todos os dias, para lutar pela minha vida e pela minha sanidade. Usei todas as armas que tenho para chegar vivo a este momento, com a saúde física intacta e a saúde mental mínimamente estável.

Penso na oportunidade dos jovens de hoje, de sair do armário e evitar passar por isso. De dizer: mãe, estou saindo com o Jorjão da padaria. Vou ao clube tal, que fica em tal lugar. Volto tal hora. Penso na oportunidade que eles têm de aprender tudo sobre proteção antes de se aventurarem no mundo do sexo. De desconfiarem das instituições que se dizem idôneas, que exigem nossa confiança absoluta. Na oportunidade que têm de evitar ter dúvidas e de se precaverem dos oportunistas, mal caráteres e mentirosos.

Eu penso que minha vida poderia ter sido muito mais fácil. Mas, por outro lado, fico feliz de ter passado por isso para hoje poder falar sobre essa experiência de dor, luta e superação. Hoje, não dependo de um remédio sequer, aos 49 anos de idade. Deus foi vital para que eu chegasse até aqui, mas um Deus de amor, um Deus de cura e de bondade. Eu não me envergonho de dizer que sou sim gay, que faço sexo com homens, mas que creio e tenho fé nesse Deus. Eu me entendo com ele e não deixo religiões me impedirem de ir a ele e dizerem que pra ir a ele ou ter o seu favor, eu teria que mudar da água para o vinho. A graça dele me basta. Nós gays não temos que ser ateus. Temos o direito à misericórdia de Deus. Ele nos ama, tanto quanto a qualquer outra pessoa.

Por isso, eu acho que o armário não vale à pena, hoje em dia. É melhor deixar todos saberem, todos que interessam a você. E só depois, com orientação, com sabedoria, tomar decisões. Lutar para ter um companheiro estável, pensar em ter uma família, ou, se não der, não se arriscar com gente estranha e de intenções desconhecidas. Você jovem gay, terá muito mais chances de ser realmente feliz! Fica ativo, amigo gay!

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