Como Você Busca Um Relacionamento?
A mídia mostra e divulga muitos gays ricos, famosos, com relacionamentos estáveis e até filhos. Ela mostra um lado glamuroso, cheio de alegria e sucesso. Além disso, há aceitação incondicional por parte das famílias, e os gays destas são reconhecidos por quem realmente são, pelos seus talentos e habilidades. Mas será que é assim para a maioria?
Pra começar, há ainda uma grande quantidade de gays e bissexuais que preferem ficar no armário. São pessoas que buscam sigilo e anonimato. Muitos destes são casados com uma pessoa do sexo oposto e esta nem desconfia de sua vida dupla. Esta pessoa passa a vida toda escondendo seu segredo. Ela, muitas vezes, até tenta negar sua identidade, até que um dia ela é descoberta ou desiste de se anular e decide sair do relacionamento que não a completa.
Mas como pode um gay chegar a outro e iniciar uma conversa que possa levar a um possível encontro ou relacionamento? Até pra quem já se assumiu, isso não é algo tão simples.
Os aplicativos de relacionamento surgiram como uma promessa de facilitar a conexão entre as pessoas LGBT. Mas eles nem sempre funcionam. Como eu disse, tem muita gente se escondendo, gente que quer um encontro, mas que querem te passar o mínimo de informação possível sobre quem elas realmente são. Gente que mente o nome, a idade e o status de relacionamento delas. Muitas com fotos antigas no perfil, que já não as representam. E muito perfil fake, de gente piadista ou mal intencionada.
Mas, e no mundo real? A vida do gay também não é muito mais fácil. Ele não pode, simplesmente, ir chegando e cantando qualquer um. É difícil ele saber se o prospecto se interessa pelas mesmas coisas que ele. Foram raríssimas vezes que eu consegui algum contato dessa forma, sem o auxílio de um app ou chat. Não temos bola de cristal para saber quem é gay, hétero, ou bi.
Também, mesmo que a gente consiga sacar quem está afim, não significa que dará certo. Não temos como saber se a pessoa é comprometida, se sua família é repressora e vai querer nos atacar, e se essa pessoa com quem queremos nos encontrar é honesta e de bem.
Não sei quanto aos gays mais jovens, mas, comigo, os relacionamentos ou contatos sexuais, raramente ocorreram com um amigo já conhecido, ou sequer houve um aprofundamento na relação depois do primeiro contato. Apenas recentemente tenho conversado com outros gays, mesmo que não exista um interesse imediato por contato romântico ou sexual. Este contato aberto é muito bom, pois pode ajudar a nos encontrarmos com pessoas que já conhecemos de antemão e a fazer e manter amizades com outras pessoas como nós.
Eu tenho usado várias formas de contatar um possível crush. Tenho usado apps, grupos de WhatsApp, contatos presenciais, e usei muito chat, no passado, incluindo o extinto MSN e o ainda ativo Skype. A dinâmica dos chats era assim: você precisava imaginar mais ou menos, pelo apelido da pessoa, se era alguém interessante pra você. Então você conversava e pedia informações sobre aparência, peso e altura. Se isso agradasse a vocês dois, então você tentava levar a pessoa para um aplicativo de mensagem, para poder ver a pessoa numa câmera e, só então, depois de uma conversa e, quase sempre, de uma demonstração de seus dotes físicos, decidir se vocês iam se encontrar no mundo real. Eu, por exemplo, fiquei anos apenas no virtual, onde havia caras de todo o tipo. Gays assumidos, gays no armário, bissexuais, casados, solteiros, curiosos, piadistas, etc. E tem mais, eu nem sempre conseguia estabelecer uma conversa com alguém. Às vezes passava horas conversando no chat e não saia de lá.
Depois, também, eu comecei a sentir que estava ficando para trás. Ninguém mais queria relacionamentos virtuais, e eu ainda não estava pronto para relacionamentos no mundo real. E, com o tempo, isso foi me impelindo a iniciar a vida sexual na prática. Isso também é um perigo, pois a pessoa pode acabar se metendo em problemas, por não saber se proteger. Mas acredito que, até hoje, a vida sexual de muitos gays deve iniciar assim.
Mas, então? Qual a melhor forma de uma pessoa LGBT fazer um primeiro contato com alguém que lhe interessa ou conseguir se encontrar com alguém com segurança? Eu penso que ela precisa ter muita sagacidade w sabedoria para fazer boas escolhas. Mesmo com o auxílio dos apps, ainda é necessário que o gay tenha muita atenção para perceber se um perfil é verdadeiro e se a outra pessoa é quem ela realmente afirma ser. Muitas vezes, você conversa com a pessoa da foto e, quando você se encontra com ela, fica pensando se são a mesma pessoa.
Enfim, não há fórmula mágica. Eu, por exemplo, ainda não frequentei lugares específicos paraco público LGBT. Essa poderia ser uma alternativa. Mas também não penso que deva ser todo esse glamour, e acho que deve exigir ainda mais cuidados e atenção para não cair em ciladas.
E você, como você busca seus relacionamentos? Qual a sua opinião sobre esse tema? Deixe nos comentários. 🙂😉😘

ResponderExcluirMe identifiquei com as análises feitas. Não se calar é parte importante da nossa luta.